La mala educación

Depois de muito tempo sem postar (às vezes a inspiração custa muito a aparecer…), hoje venho aqui falar de uma temática que nada tem a ver com a moda em si, mas sim com o nosso comportamento na internet, tanto nas caixas de comentários de blogs e sites como nas redes sociais. Acredito que este post também possa ser considerado uma continuação do “Feias, gordas e pobres – só pode ser inveja”, só que um pouco mais abrangente, estendendo-se por todo o território da internet.

O primeiro ponto a ser abordado é exatamente a falta de educação das pessoas quando protegidas pelo anonimato e por acreditarem estar em um “território sem lei”. Sei que a maioria das pessoas que acessa meu blog vem direcionada por blogs relacionados à moda, nos quais eu acredito que esta falta de educação se dê de uma maneira mais leve. Isso não quer dizer que entrar no blog de uma pessoa e dizer a ela que ela é feia, gorda, pobre, tem pernas tortas, nariz feio, cabelo “ruim”, celulite, ou qualquer outro xingamento seja “leve”, mas não passam de xingamentos infantis proferidos por pessoas com mentalidades infantis, tão infantis que chegam a ser ingênuas em praticamente todas as áreas das suas vidas.

Estes adultos com mentalidade infantil normalmente são as pessoas “que fazem parte dessa massa”, ou seja, que se comportam como a maioria. Seus gostos musicais são clichês, frequentam ou gostariam de frequentar a baladinha da moda, usam aquelas peças que serão as mais batidas da estação, sempre se vestindo como todos os demais (ou, ao menos, como os demais membros de seu grupo), têm um iPhone (que muitas vezes custa dois ou três salários seus), assistem BBB, futebol e novela das oito. Dão muito valor às aparências das pessoas (e sempre procuram por defeitos em seus “inimigos”) e a bens materiais.

Suas opiniões sobre problemas complexos como a corrupção política e a criminalidade são sempre simplistas e totalitárias, compartilham frases sobre deus incessantemente nas redes sociais – embora violem grande parte das “regras divinas” que costumam compartilhar, sendo legítimos hipócritas -, e gostam de dizer que ele guarda o melhor pra elas, embora não façam muita coisa pra conquistarem o que desejam nem sejam necessariamente merecedoras “do melhor”. Ainda, orgulham-se de ser “super sinceras” e por “falar na cara mesmo”, mas geralmente são apenas inconvenientes e adoram impor sua opinião. E não estou dizendo que quem tem uma ou duas destas características é assim, mas normalmente estas pessoas apresentam um “pacote” com várias delas.

Eu conheço e convivi/convivo com pessoas deste tipo, e, como boa observadora que sou, aprendi a identificá-las em poucos minutos de contato e conversa. Estas pessoas são mal educadas e grosseiras até quando estão cara-a-cara com você, não se contendo e sempre soltando algum comentário maldoso na sua cara mesmo, como “vc deu uma engordadinha nas últimas semanas?” (ou uma variação, dizendo que a peça “x” de roupa que você está usando naquele exato momento ressalta algum defeito seu que ela fez questão de encontrar).

Só que quando a coisa fica anônima… elas perdem as estribeiras. Tendo a oportunidade de se esconder na internet, destilam todo o seu veneno contra as pessoas que elas fazem questão de odiar de forma velada (ou não), quando as conhecem pessoalmente, ou mesmo contra quem nunca viram pela frente mas acompanham pela internet.

Eu acredito que todo mundo “stalkeia“. Eu “stalkeio” algumas pessoas, porque elas acabam servindo de inspiração, com as quais a gente se identifica de alguma forma. Outras pessoas a gente acaba “stalkeando” porque nos rendem boas risadas, sejam famosas ou anônimas, e embora isso não seja a coisa mais nobre a se fazer, humanos não são nobres sempre… rs. Quem nunca leu uma fofoquinha de celebridade pra descontrair? Quem não gosta de um “bafão“? A vida geralmente é séria e dura, então às vezes é um alívio ver que tem pessoas fazendo/sofrendo mais merda do que você.

Mas tudo deve ter um limite… e eu, particularmente, acredito que a maldita mania que temos de opinar em tudo acaba quase sempre ultrapassando. Falando nas blogueiras, por exemplo, eu até entendo que suas seguidoras opinem nas roupas que elas vestem nos “looks do dia”, ou em alguma coisa de seu físico quando a própria blogueira pergunta (“cortei o cabelo, o que vocês acharam?”), mas ainda que a opinião seja pedida, às vezes é bom maneirar na “sinceridade”.

Analisando que cada um tem sua própria visão de mundo, seus gostos e suas opiniões, é impossível haver uma só “sinceridade”. Se eu prefiro mulheres com cabelos castanhos, posso ser sincera ao dizer a uma amiga que acabou de ficar loira que o tom de cabelo anterior era mais bonito, mas certamente uma pessoa que ame cabelos loiros vai achar o contrário. E se ela mudou a cor do cabelo, foi porque ela quis, oras. Então pra que ser a pessoa que vai jogar um balde de água fria?

Se  alguém pediu a sua opinião, é porque a valoriza, mas também porque, principalmente, a pessoa quer que você diga o que ela quer ouvir. “Ah, mas quem pergunta o que quer, ouve o que não quer”. E por que você tem que ser o(a) babaca que fica por aí dizendo o que os outros não querem ouvir? Por que a sua opinião tem que ser emitida a qualquer custo? Por que você se sente no direito de julgar todas as pessoas conforme aquilo que você acha?

Claro que as pessoas que chegaram até aqui e estão loucas pra “opinar” e criticar meu texto vão dizer que eu tenho textos em que critico certas atitudes de pessoas e mesmo alguns “looks” de blogueiras e famosas. Sim, no MEU blog, eu dou a MINHA opinião. Eu não entro em contato com estas pessoas nos blogs/facebooks/instagrams delas pra dizer “olha aqui, fulana, você nunca me viu na vida, não sabe nem que cara eu tenho ou meu nome verdadeiro, mas, com toda a sinceridade, essa roupa não caiu bem em você”. Quem faz desta forma, faz questão de ser lido, questão de que a pessoa alvo da crítica saiba o que ela pensa, porque quer se sentir importante. Eu não faço questão, porque acredito que pra estas pessoas, a minha opinião seria irrelevante. Se elas aparecerem por aqui, lerem e acharem válida, que bom, eu as fiz refletir de alguma forma. Este é o objetivo. Se não, não faz diferença pra mim também.

Como já me alonguei demais (pra variar, mas a maioria das pessoas que gosta do blog acaba gostando dos textos longos), se você for este tipo de pessoa que gosta de impor suas opiniões, fica a reflexão: por que você tem sempre que opinar/criticar? Por que as outras pessoas têm que agir, vestir-se ou se parecer com aquilo que você considera certo/mais bonito? Será que você é tão importante assim pra ser levado em consideração por todo mundo? Será que o que você pensa é mais importante do que o que a pessoa que você critica/criticou/criticará pensa sobre ela mesma? Você gostaria que todas (pense em TODAS mesmo) as pessoas que vivem ao seu redor vivessem dando as opiniões delas sobre você? Se TODOS opinassem sobre seu cabelo, seu corpo, suas roupas, suas escolhas, seus namoros, seu estilo de vida, sua idade pra casar, sua carreira, quantos filhos você deve ter, quantos cachorros (ou gatos?), você provavelmente preferiria passar o resto da vida trancada em um quartinho escuro, porque ficaria maluco(a) de ouvir tantas opiniões diferentes sobre si. Provavelmente não ia nem saber mais o que você realmente pensa se si.

Então, faça um favor às demais pessoas, que certamente já aturam mais críticos e “opinadores” do que gostariam (e provavelmente a maioria tem opiniões diferentes das suas!): não seja um deles. Seja gentil, educado, e saiba que calar a boca de vez em quando. “Melhor não falar nada e deixar que pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”…

 

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3 respostas em “La mala educación

  1. Nossa, preciso fazer um curso com vc urgentemente sobre essas pessoas com pensamento da massa… Me deparei com uma, e ninguém merece. A pessoa diz q é verdadeira, mas falta bom senso e ética. Aff.

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