A pele que habito… não é minha!

E sendo o assunto da semana, depois da @BlogueiraShame publicar no blog uma foto das blogueiras Lalá Rudge e Thássia Naves usando coletes de peles – que depois virou um post mais completo mostrando fotos de várias blogueiras brasileiras usando, chamado “Dossiê Chinchila” -, ter tido uma grande repercussão nas mídias sociais, com as hashtags  #blogueirasangrenta e #BlogueiraEmPeleDeCoelho, e provocado a manifestação de várias pessoas cobrando posturas das marcas associadas, das blogueiras, eu, que planejava fazer este post “mais pra frente”, resolvi dar meu pitaco (a notícia é boa enquanto tá quente, né?).

OBS: Este post ficou mais longo que o usual, e não falei nem 1/3 do que queria. Haverá uma parte 2.

Primeiramente, vou falar sobre o uso de peles. Era algo que se justificava muitos anos atrás, quando não existia consciência ambiental, não se falava em preservação, ou extinção, e as pessoas nem tinham muita informação a respeito de como eram feitas as peças de pele de animal, ou de que se matavam 60 chinchilas pra fazer uma única peça. Minha avó, por exemplo, tem um casaco de coelho e uma estola de vison, peças compradas uns 50 anos atrás, e que hoje ela não usa justamente por entender que pele verdadeira é algo que não se usa mais, e pronto.

Além disso, não tínhamos a tecnologia em tecido que temos hoje, então, em locais extremamente frios, as pessoas não tinham muita alternativa. E em países-colônia, como o nosso, seguia-se o dresscode dos países europeus – mesmo com o calorão que faz por aqui na maior parte do ano.

Entretanto, no mercado de luxo, a pele nunca saiu de moda, desde o século XIX, e,agora, parece que nunca esteve tão em alta. As grandes maisons, como Chanel e Louis Vuitton, confeccionam muitas peças em peles de animais, sendo Karl Lagerfeld um grande defensor do seu uso.

Karl defendeu o uso de peles dizendo que “estas feras nos matariam se não as matássemos antes, e que os “caçadores do norte da Europa dependem disso para viver e morreriam de fome se não pudessem caçar”. A primeira afirmação me remete a uma cena do clássico Monty Python e o Cálice Sagrado, em que o coelhinho assassino arranca a cabeça do cavaleiro templário… e não é menos ridícula ao se imaginar “feras” como raposas, martas e chinchilas atacando e destruindo vilas e cidades, e comendo criancinhas indefesas.

Quanto à segunda afirmação do Kaiser, particularmente, eu acredito que a caça, para os machões, seja muito mais um hobby que um meio de subsistência. Tanto o é, que o rei da Espanha, em meio à crise que assola o país, foi à África matar animaizinhos, e que os próprios príncipes da família real britânica saem pra caçar durante as temporadas com a aristocracia inglesa.

Em tempo, Kate Middleton, assim como Lady Di, recusou-se a participar da tradicional matança de pássaros que ocorre no dia 26 de dezembro, tradição dos aristocratas e da família real.  Isso mostra o quanto esta “cultura”, infelizmente, está arraigada nas classes sociais mais altas e que, em tese, teriam melhor educação e maior acesso à informação. Mas a atitude de Kate é uma prova de que as pessoas podem, sim, e DEVEM, posicionar-se contra “tradições” arcaicas, como rituais de caça, ou o uso de peles.

Meu posicionamento é que os únicos homens que dependem da caça para sobreviver, e para os quais ela seria justificável, são aqueles que vivem de forma tribal, como os índios do Brasil, os espalhados pelas savanas africanas, os aborígenes da Austrália e afins. Homens que são “civilizados” o suficiente a ponto de saber utilizar armas de fogo (se é que usar armas de fogo pode ser considerado algo civilizado) não podem usar a “sobrevivência” como desculpa para viver da caça. Existem alguns bilhões de ofícios a serem aprendidos, e creio que a imensa maioria das pessoas sobrevive trabalhando em escritórios, empresas, agricultura e afins, e não caçando raposas. Viver da caça é uma escolha, não uma necessidade. E eles escolhem a caça porque gostam, porque é viver de um hobby.

Com relação à moda, ainda em 2010, a Louis Vuitton lançou os pavorosos chaveiros de rabo de raposa coloridos. A peça consiste em um rabo inteiro de raposa, tingidos de tons fluo ou na cor natural, que as shit girls e blogueirinhas vítimas da moda ” da gringa” usaram, por não mais que uma estação (foi quanto durou a modinha).

Acredito que, com o advento da internet, dos blogs de moda e afins, o uso de peles se disseminou. É só abrir qualquer site de streetstyle famoso, que veremos várias mocinhas, famosas ou anônimas, vestidas de forma impecável – e usando casacos de pele!

Logo, com esse excesso de informação a favor do uso de peles, propagada pelos estilistas, editoras de moda de grandes revistas, atrizes, modelos e cantores famosos, e divulgada amplamente pela internet, nossa geração de garotas e mulheres alienadas (e rapazes também!), obcecadas por demonstrar ao mundo que estão “por dentro” das tendências, e que não possuem senso crítico ou ético, esqueceram-se do quanto, em nossa tenra infância, torcíamos para que os fofinhos 101 Dálmatas escapassem das garras da Cruela Cruel e seus desastrados ajudantes, ou do quão emocionante era a amizade entre o Toby e o Dodó (O cão e a raposa).

Pra mim, usar um casaco, estola, gola, colete e afins de pele, é apenas uma forma de autoafirmação, de “eu sou rico, vocês são pobres”. Tanto que elas estão em alta justamente no momento em que o mundo passa por uma crise e a Europa – continente que dita a moda ao redor do globo – está praticamente afundando.

Se formos observar com olhos críticos, veremos que sempre que acontece uma crise drástica como a de agora, aqueles das classes superiores arrumam alguma forma – geralmente através da moda – de esfregar na cara do mundo que a crise não os pode atingir. Desta vez, foi com os casacos de pele.

Particularmente, pra mim não há coisa mais patética que essa necessidade de autoafirmação do ser humano através de bens materiais. E essa onda de casacos de pele me lembra muito os cantores e cantoras americanos de rap e derivados, que parece que a primeira coisa que fazem quando lançam um single que vai pro topo das paradas é comprar um casaco de pele – parece que é um ritual de passagem do gueto pra alta sociedade.

Resolvi rebater, de forma bem humorada (porque as declarações me soaram como piada), alguns argumentos utilizados por defensores do uso de peles, publicados nesta matéria do Terra. Em outro post, pretendo fazer uma argumentação mais sólida, este já está longo demais.

Pedro Lourenço: “Só tem sentido discutir isso se as pessoas deixarem de usar sola de sapato de couro”. – Sou a favor. Sola de couro escorrega pra ca**lho!.

Amir Slama: “É uma hipocrisia comer a carne e defender a não utilização do couro ou da pele do animal na indústria de moda. Só quero ressaltar que sou contra matar o animal com pedrada na cabeça ou outro tipo de violência.” – Normalmente a indústria peleteira mata animais cantando canções de ninar, e não com violência.

Clô Orozco (da Huis Clos): “Acho que pele é um fetiche de toda mulher. Pago uma anuidade ao Ibama, uso pele certificada, e só de animais criados em cativeiro.” – Fetiche com pele de animal morto é tipo zoofilia + necrofilia?

Clô Orozco (de novo): “Queria só ressaltar que são todos animais de cativeiro e essa é uma indústria que gera empregos”. – Tráfico de drogas também gera empregos. Informais e ilegais, mas muitas famílias vivem disso.

Reinaldo Lourenço: “Esse tipo de manifestação é modismo, como já foi em relação aos negros.” – Será que ele se refere ao modismo da abolição da escravatura?

Enfim, o jeito é rir pra não chorar.

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92 respostas em “A pele que habito… não é minha!

  1. os Middleton praticam a caça, dá uma pesquisada que você vai achar dezenas de fotos da família inteira com seus uniformes e armas, segurando os bichinhos q mataram, tem uma foto muito conhecida e fácil de achar por aí, da familia toda posando atrás de pilhas e pilhas de animais no chão, todos enfileirados que eles mataram em um só dia, raposas, esquilos, tem de tudo.. o que se mexia era abatido.

    • Eu vi as fotos, agora que você comentou. Também vi uma polêmica de uma foto em que ela aparece usando um chapéu de pele. Entretanto, esta notícia que citei é mais recente… então, se ela “criou juízo” e, ao menos parou de caçar e usar peles, já é alguma coisa. E o fato disso ter sido amplamente noticiado, também. Se é estratégia de marketing, depois de ter entrado pra família real, eu não sei, mas sou a favor de estratégias que acabem trazendo um benefício maior. A duquesa tem muitas admiradoras ao redor do mundo, se algumas delas resolverem seguir seu exemplo, acho válido, não?

      • Super válido! Não creio que a iniciativa dela seja tão bem intencionada quanto a de Diana, infelizmente… Enfim, desde que ela guarde pra sí a crueldade e não a propague e/ou incentive, essa pele (figurativa) de cordeiro, ela pode e deve usar.

      • Btw, parabéns pelo post tão bem elaborado. Fiquei feliz em ver que todo o “barulho” do dia de hj não passou em branco, me pergunto se irá surtir algum efeito a longo prazo. “Eles” contam com a memória curta do brasileiro… Me entristece pensar que eles podem estar certos. Até quando???

      • Acredito que a única coisa que vai mudar é a divulgação. Se o povo critica, elas vão parar de publicar – não de usar. Quando a pessoa tem a mente fechada a novas ideias, nada consegue abri-la, e a única coisa que entra na cabeça destas meninas é o que os “ditadores” de moda dizem a elas que é legal. Ou seja, quando nossos estilistas e as editoras de moda forem todas “Stellas MCCartney”, elas vão achar pele brega também. Só que isso é meio utópico, né?
        Com honestidade, eu sou uma pessoa que desistiu da humanidade há tempos e torço pela nossa extinção. Rs.

      • Olha, pelo andar da carrugem, o fim está logo ali. Tenho até medo de botar filho no mundo, pq se agora tá assim, imagina como não vai estar a situação p/ as futuras gerações. O Brasil, acomodado que só, caminha um passo p/ frente, dois p/ trás…

      • Hahaha, eu nunca quis, hoje em dia tenho certeza. Já tá uma bosta hj esse mundo, quem dirá daqui uns 30 anos? Fico com meus filhos caninos e felinos!

    • Era exatamente isso que eu ia dizer.Tem muuuuuuuitas fotos de Kate caçando com animais mortos nas mão é só pesquisar.Ela só ñ participou desse dia de caça p ñ criar bafáfá,mas p se enquadrar na família real ela e os parentes aprenderam e caçam.

      • Acredito que talvez eles já caçassem antes de ter alguma relação com a família real. Embora a mídia tenha “pintado” Kate como plebeia, a família dela já era milionária muito antes dela conhecer William.
        Enfim, eu espero que o medo de “bafafá” dela acabe tendo uma influência boa, né? Acho que todo mundo tem o direito (ou dever?) de se arrepender. Romper com esta cultura da caça e do uso de peles é romper com uma padrão cultural de milhares de anos, especialmente em uma família real, que é revestida de tradições arcaicas (muitas destas vêm desde a idade média). Se for um começo, acho válido. Se influenciar pessoas, também! Não sei se estou totalmente certa, mas acho que boas ações, mesmo quando feitas por motivos errados, não deixam de ser boas ações. Se pouquíssimos fazem coisas boas por altruísmo, e muitos para aparecer, embora os primeiros tenham motivos mais nobres, os segundos também acabam trazendo alguma contribuição! 😉

  2. Falou tudo. Matar animais para satisfazer o ego é o fim da picada, não dá!
    Santa ignorância dessas pessoas que usam e as que comercializam, assasinos, devem ser punidas, mas como no Brasil pode tudo…

  3. Acho o uso da pele animal, além de ecologicamente incorreto, é claro, é inapropriado para nosso clima, por mais frio que esteja, e de muito mau gosto, é cafona mesmo. Agora um argumento que “mataria” todas as blogueiras , engorda, voces já repararam o que aumenta!!!!

    • Pois é, logo elas que vivem fazendo dieta pra usar 34…
      Resolvi muito bem meus problemas com o frio (moro no sul) usando um blusão de soft por baixo dos casacos. Acha-se em lojas esportivas, nas seções de esqui e montanismo, custa barato, e usando casaco e cachecol por cima, ninguém vê, além de não criar todo o volume que as peles ou muitas camadas de roupa criam.

  4. Parabéns! Expressou direitinho tudo o que pensamos. Não acho modismo, pois senão o PETA teria sido abolido há anos. Como a Lele do TDUD falou no twitter, as pessoas do Alaska usarem pele é até se entende, mas no Brasil, ainda mais em cidades quentes, não tem como entender. Hoje em dia o mundo possui tecnologia suficiente para se ter uma pele chamada de fake com cara de real, então pra que comprar pele em que vários bichos são criados para morrer de forma tão violenta? Além de ser bem mais em conta. Acho super chique quem tem a capacidade de ver isso.

  5. Cheguei até seu post através do blog da Shame e aguardo ansioso a segunda parte. Não vejo justificativas nem climáticas ou estéticas para o uso de peles por aqui, hoje já é possível se proteger de frios mais rigorosos sem usar peles e mesmo assim há as peles sintéticas com boa qualidade e aparência, resumindo, não há desculpas para aprovar essa atrocidade.

  6. Muito bom o texto. Talvez com esse auge da midia mostrando o uso de peles, as pessoas parem de fechar os olhos para esse mal que tanto assola essas fias que acham que são alguma coisa. Ridiculo esse povo uó com um animal morto nas costas. Aposto que todo mundo tem um cachorrinho peludo dentro de casa, achando que tá tudo certo.

  7. Sis, amei o seu post. Desde que me conheço por gente abomino pele, talvez pelo fato da minha ser contra. Minha avó também tinha um casaco de pele, e acabou me dando. Eu o doei, jamais usaria aquilo. Mas na época das nossas avós, como vc bem disse, não havia este tipo de consciência. Ademais vivemos em um país quente, e vc que mora no Sul não sente necessidade de usar pele, quem sentirá?!
    Agora, o argumento usado por estilistas e afins que se valhem de pele é cretino. Como comparar o couro de vaca com a pele de uma raposa? Eu tenho preguiça….. Não há razão usarmos pele hj em dia, existem tecidos alternativos, e muito mais quentes. Sabe o eles parecem? Um bando de gente mimada, sem argumentos, que adora falar bobagem.
    Quanto ao Kaiser- ele tb é estilista da Fendi, e infelizmente a marca italiana adora peles; e por consequência ele tb.
    Bjs

    • Eu lembro que quando era criança adorava “fazer carinho” no casaco da minha avó e vesti-lo, porque era macio. Mas isso antes de ter idade pra saber como era feito! E eu citei tb só duas marcas, porque se fosse falar em todas que usam pele, ia ser uma lista muito longa, né?

      • A lista seria gigante mesmo, só lembrei da Fendi pq das gdes grifes é a que sempre tem pele, e foi polêmica a algum tempo.
        Essa sua história me fez lembrar uma minha. Quando era pequena ia ao shopping com a minha mãe, na vitrine haviam estolas de raposas. Eu achava que eram de mentira, enfeites da loja, até minha mãe me explicar que pessoas compram aquelas raposas inteiras e colocavam no pescoço. Outro dia fui a um casamento e vi uma senhorinha com a raposa, me deu um mal estar. Lembro como vc do cão e da raposa, e do 101 dalmatas. Bjs

  8. É absurdo o Pedro Lourenço tentar comparar o couro com a pele.
    O abate do boi não acontece para se utilizar só o couro. Ele acontece porque a carne é utilizada para alimentação. Só então o couro é usado para a indústria têxtil, assim como os ossos são usados na indústria de cosméticos.
    No caso da pele, o animal é abatido de forma cruel, lenta e depois, a carne não é utilizada para nada. É assassinato de animais pela estética, só isso.

    O mais engraçado é que essas mesmas mulheres que defendem o uso da pele, condenam o uso de animais para testes de cosméticos. Hipocrisia mandou lembranças, é?

  9. Essa gente da náuseas… sabe-se que os curtumes COMPRAM o couro dos frigoríficos, e não é demagogia. Não acho lindo comermos cadáveres, mas acho incomparável isso à agressão gerada somente para satisfazer alguns egos atrofiados, que só se satisfazem com demonstrações publicas. nojooo

    • Também penso dessa forma. Vi algumas pessoas defendendo que a indústria do couro não tem ligação alguma com a da carne… não consigo imaginar como isso seria viável! Então se abate o boi, tira-se o couro, e se joga milhares de reais em carne fora? Falo reais, porque pra quem trabalha com isso, os animais são mercadoria, são lucro.
      Acho que temos muito a evoluir na relação com os animais, mas também não vejo como comparar uma coisa com a outra…

  10. Adorei e concordo com o que você escreveu! Acho terrível admitir maus tratos aos animais (ainda que sejam os criados em cativeiro) em nome da vaidade

  11. Desprezo esse uso imbecil, fútil e cruel das peles dos animais. Me envergonho das declarações dadas por esses estilistas, sinceramente, devemos debater esse assunto e pressionar para que mudanças sejam realizadas e pessoas conscientizadas!

    Escrevi um mega texto no meu blog hoje, espero que o pessoal tenha passado da preguiça de ler, típica do Ensino Fundamental.

    http://www.identidade-fashion.com/2012/06/pelo-fim-da-extracao-de-pele-animal.html#.T9bcU7BYuK8

  12. Nossa, para mim, o Reinaldo Lourenço foi o pior!!! Vergonha alheia total por ele!!! Não acredito que um estilista tão premiado possa ser tão ignorante!!! Mas é isso aí, esses comentários de estilistas e fotos de blogueiras sangrentas usando pele é o retrato da classe alta brasileira! UMA VERGONHA!!!!

      • Gentemmmmmmmmm, quem ainda “compra” Reinaldo Lourenço e sua trupe??!!!!!!!!! Vcs não leram a fatídica reportagem da Piauí, da Daniela pinheiro não??? pelamor…….por isso que a moda brasileira não se firma, não é vanguarda, esse povo que é incensado pela imprensasinhainha de moda daqui não vele um sibasol furado, tudo farsa (tirando o ronaldo fraga)

  13. Não defendo o uso dos casacos de pele, mas queria deixar registrado que na Europa (no norte da europa principalmente) eles são além de modismos, são verdadeiros protetores do frio…O que está acontecendo no Brasil é demonstração de quem tem ou não dinheiro. E se é para proteger do frio, as peles sintéticas fazem isso muito bem!

    • Pois é, mas será que são as únicas formas de proteger do frio? Será que ricos e pobres usam, ou só os ricos? Não conheço a realidade do norte da Europa, ou da Rússia, e não tenho como ser completamente contra o uso de peles por pessoas que vivem em temperaturas baixíssimas (como é o caso dos esquimós)… mas se ainda assim só os ricos têm acesso, então há outras alternativas, né?

      • Interessante a questão, os esquimós, inuits etc usavam peles e couros de diversos animais da região, não tendo muita relação com poder aquisitvo, era mesmo questão de sobrevivência. O consumo de peles por esses povos está caindo porque a temperatura nessas regiões está mais alta. Na Rússia tanto pobres quanto ricos usam muita pele, a diferença está na qualidade/grife como sempre.
        Penso que animais criados para o consumo como o bovino, coelho, etc deve-se aproveitar a pele e o couro, já que consumimos a carne em larga escala, por esse motivo acho um absurdo falar em usar sapatos e cintos sintéticos, dá impressão que aqui só tem vegetariano.
        Quanto a caçar um animal livre por diversão isso é barbárie.
        Adorei o blog!

    • Pois é, mas será que são as únicas formas de proteger do frio? Será que ricos e pobres usam, ou só os ricos? Não conheço a realidade do norte da Europa, ou da Rússia, e não tenho como ser completamente contra o uso de peles por pessoas que vivem em temperaturas baixíssimas (como é o caso dos esquimós)… mas se estamos falando em pessoas que vivem de forma mais civilizadas (os esquimós têm um modo de viver próprio, outra cultura) ainda assim só os ricos têm acesso, então há outras alternativas, né?
      E também tem toda a questão da tecnologia, hoje temos vários tipos de tecido que protegem mais que a pele. Acho que a pele, em si, não esquenta muito (como o couro), ela seria mais uma barreira contra o vento do que para reter o calor. Acredito que uma combinação de tecidos que esquentem, em várias camadas, com um jaquetão que barre o frio é muito mais eficaz que pele.
      Prova disso são os alpinistas! Já viu alpinista escalando montanhas congeladas de milhares de metros de altura usando pele? Não! Então não sei se o frio seria uma desculpa pra pessoas que vivem em cidades, com casas boas, acesso á tecnologia e à informação, usem peles.
      Eu tenho esse entendimento de que só vale para pessoas que vivem de outro modo, até porque creio que a existência dos índios, dos esquimós, e de outras tribos seja muito mais sustentável que a nossa, e que eles não têm como dispensar o uso de pele por muitas questões.

  14. Estou encantada com o seu blog. Apaixonada por descobrir alguém com idéias sensatas, com boa dose de senso de humor (refinado e afiado). Já compartilhei seu texto e me sinto renovada em esperanças na humanidade por saber que existem várias pessoas (você e leitoras que comentam aqui) com mentes condizentes com um futuro de progresso e mais prosperidade.

    • É, ia falar isso.
      Os animais criados em cativeiro aparentemente tem menos direito de viver do que os libertos.
      Um horror!
      Pra mim é mais terrivel ainda criar um bichinho com a unica finalidade de tirar a pele dele.

  15. Parabéns pelo texto. Quem sabe assim algumas pessoas se concientizarão da barbárie que é praticada contra animais indefesos para vestir essas blogueiras patricinhas de merda! Aguardo a continuação. Bj

  16. Ridiculo os argumentos de alguns estilistas no final. Usar casaco de pele é muito desnecessário. Se fosse algo acessível ( como é comer carne) até entederia algumas pessoas usar. Mas é caro demais. E afinal de contas, é nojento.

    • E se fosse necessário, né? Já vi tanta pele fake bonita, além de serem mais leves e confortáveis, pra quem gosta. Essa gente deve pensar que só usa fake quem não tem dinheiro pra comprar original…

  17. Olha como ainda somos primitivos! Se na era das cavernas o bom caçador, respeitado pelos demais, era reconhecido pelas peles dos animais que havia caçado vestidas em seu corpo; hoje, não é diferente, continua sendo símbolo de status (Oi!?)!!! Acho uma vergonha este tipo de assunto ainda ser discutido hoje. Temos tantos vídeos que delatam a extração dolorosa dos pelos dos animais! Ademais, temos a tecnologia que pode ser muito bem usada a nosso favor! #olhaapelesintéticaaíminhagente

    Texto muito eloquente! Parabéns!

    Inté,
    Cris.

    • É desse jeito que vejo, parece um “ritual” tribal mesmo.
      Quem precisa usar pele dos outros não deve se sentir confortável na sua, né?

  18. parabens pela materia, por isso sim e coisa seria e bem escrita e pode ser chamada de materia ao contrario dos “posts” pateticos e cheios de erros de portugues das blogueiras sangrentas e shit girls…

  19. so gostaria de INFORMAR a todas q a pele e nojenta, bizzarra,maldosa e cruel porem ao contrario do q se pensa NAO E TAO CARA! caro e o custo final porq normalmente as confecçoes marcam 4 a 5X em cima de cada peça POREM no caso de qualquer coisa de pele essa marcaçao e no minimo 15X logo eles lucram umas 10 vezes mais em itens de pele!
    entao nao e q a pele e cara mas sim q aproveitando a ideia de luxo associada a essa maldade, as grifes aproveitam pra matar animais lindos e fofos e fazer de otarias consumidoras futeis e tontas!!!
    Resumindo: quem compra pele e maldosa, futil, sem corçao, sem consciencia, quer se auto afirmar e ainda e sempre feita de otariaaaaaa

    ps- vcs sabiam q em varios lugares do mundo raposas sao criadas como cachorro e sao iguaizinhas? pegam bolinha, pedem carinho, aprendem o nome, andam na coleira, comem raçao….
    ja martha, vison sao quase iguais aos ferrets….
    e ai essas pessoas matam bichinhos como os q temos em casa por pura futilidade, era ou nao era pra arrancar a pele da bunda delas???

    • Eu sempre amei raposas, assistia “Animais do Bosque dos Vinténs” quando criança e meu sonho era ser uma raposa vermelha! Como todos os canídeos (lobos, chacais etc), as raposas têm muito em comum com nossos mascotes, e só um idiota não vê.

  20. INCRIVEL. Argumentos excelentes, sem sensacionalismo. Na minha opinião só usa peles de animais aquelas estúpidas que “preferem nem ver”. Acho impossível um ser humano não se sensibilizar com o que realmente acontece por trás de um casaco ou estola de pele. A parte sobre status é a melhor definição dessa cafonada toda. Sim, porque em 2012, nada mais cafona do que ser alienada.

  21. Ótimo seu texto e não achei longo. Abrange vários aspectos, desde econômicos, políticos e sociais.

    O que falta essa gente da moda assumir (os que fazem parte de indústria), não diminuiria a crueldade, mas pelo menos seriam honestos, é que o importante para eles é o lucro. E depois ainda vem falar de sustentabilidade nas semansa de moda da vida!

    Vou repetir o recado que tenho escrito para essas blogeiras: seria muito mais ousado e interessante se as mocinhas fofas estivessem penduradas no pescoço dos animais.

    Não há nada mais demodê que compactuar com o sofrimento alheio por mera vaidade vazia e cruel. Modernidade ter respeito em relação a todos os seres.

    Abçs

    • Boa, Ale! Daqui a pouco tem gente levantando a bandeira a favor da poluição, da fome e do desmatamento. É a mesma coisa que defender o uso de peles…

  22. Oi Sis!
    Antes de mais nada: NI!

    Seguinte, eu acho incrível esse discurso mundo da Hello Kitty em parceria com os Ursinhos Carinhosos de que para evitar a crueldade exercida para extrair seja lá o que for dos animais para acabar no closet ou no prato de alguém CONTUDO o que mais incomoda é essa complacência toda com os bichinhos e a hipocrisia diante dos próprios seres humanos.

    Ok os animais sofrem ao serem sacrificados. E os milhares de seres humanos que sofrem ao viver um sacrifício diário de simplesmente tentar existir com o pouco que lhe é disponível? A mesma criatura vegan do bem que defende seus amados bichanos diante de toda crueldade humana sustenta o consumismo através de outros itens que só estão nas prateleiras porque algum humano o produziu em algum momento e como você mesma mencionou provavelmente em regime semi-escravista para conseguir ganhar a única refeição do dia. Porque mesmo que a comida seja totalmente orgânica, os tecidos seja ecológicos, haja separação do lixo (me fugiu o termo), esse cidadão super do bem tecnicamente estaria deixando de fazer mais um montão de coisa para que esse nosso planeta lindo de cada dia chegasse minimamente a algum nível decente de equilíbrio e desenvolvimento sustentável.

    O que eu quero dizer é que é muito difícil alguém conseguir se isentar de algum tipo de culpa diante da crueldade alheia porque no final das contas quase ninguém consegue fazer algo que realmente faça a diferença e seja digno de ser enaltecido e seguido como exemplo. É aquilo, a la Willy Wonka Irônico: “então quer dizer que você não come carne por causa do sofrimento dos bichos, conte-me mais sobre como você ajuda as crianças carentes do seu bairro”. Sofrimento por sofrimento, ambos sofrem…e muito.

    Minha revolta não é em relação ao seu texto, na verdade concordo com muita coisa que você escreveu. Mas é mais contra esse pseudo-bom-mocismo que invadiu a sociedade e que, na minha opinião, fica evidente nesses discursos do tipo “vamos salvar a baleia azul do Zimbábue” mas que está pouco se lixando para o menor que lhe implora por 10 centavos que seja.

    Para mim, usar peles ou não, comer alimentos de origem animal ou não, é uma questão muito mas muito mesmo pessoal. Eu por exemplo não como carne há 14 anos simplesmente porque não gosto do sabor, não uso peles porque acho feio, mas contribuo no meu dia-a-dia para que – mesmo que minimamente – o sofrimento alheio. Afinal eu não sou o Capitão Planeta e não vou salvar o mundo. Só que esse ano, em viagem na Rússia, ao pega -20 graus me rendi a uma boina de pelo de não sei o que (tchanka) porque estava com muito frio e precisava proteger minha cabeça, na banquinha da rua vendia e o valor não absurdo. Ainda mais porque lá usar pele não é ostentar, é cultural já que o inverno é muito rigoroso. Agora minha boina está gaveta e será usada caso eu volte a frequentar lugares cuja temperatura seja mais baixa que -10. E não eu não me sinto culpada por isso!

    Desculpa a “bíblia” mas quem manda escrever um texto super pertinente, aí temos que comentar né!

    Beijos

    • Olha, eu vou te dizer uma coisa, eu não saberia por onde começar uma discussão com você por tudo isso que você colocou, porque realmente é muita coisa. Mas vamos tentar, né?
      Acho que é muito mais complicado ajudarmos pessoas. Porque pessoas são seres muito, mas muito mais complexos que animais, e nossas relações também. Acho que o primeiríssimo passo pra fazermos algo pelas pessoas carentes, ao menos em nosso país, seria cobrar dos políticos que os impostos que pagamos tenham a destinação correta. Seria combater ferrenhamente a corrupção, pra que o dinheiro que investimos vá para as escolas públicas, os projetos sociais, pra equipar o SUS e afins. Este seria o passo mais importante, porque nossa sociedade é praticamente inerte neste sentido, e temos uma das maiores arrecadações de impostos do mundo.
      Então, dito isto, entra a questão de ajudar as pessoas e toda a sua complexidade. O que seria uma ajuda significativa pra uma pessoa em uma situação de carência? Você fala em uma criança pedindo 10 centavos. Dar a ela 10 centavos e pagar um lanche vai tirá-la da situação em que ela se encontra? Vai realmente ajudar alguma coisa, ou seria simplesmente um modo de vc sentir a consciência mais leve naquele momento? E depois que ela ganha os 10 centavos, como ficaria a vida desta criança?
      Aí está a complexitude que é ajudar um humano. Digamos que você realmente queira ajudar a criança, aí você descobre quem ela é. Que ela mora na favela, tem outros 7 irmãos, estuda, mas o ensino é precário, a escola dela não tem professores, a merenda, num dia vem, no outro falta, e ela ainda tem de andar quilômetros pra estudar. Na casa dela, não há água encanada, nem coleta de lixo, porque ela mora em uma invasão na beira do rio, em área de manguezal, que toda vez que dá cheia alaga tudo. A mãe tem de ficar em casa cuidando dos 7 filhos, e o pai trabalha fora e ganha uma miséria que mal pode sustentar a todos. As condições de saúde e higiene são precárias, e as crianças quando chegam aos seus 7, 8 anos, já começam a trabalhar com alguma coisa pra ajudar o pai. Ou a vender drogas, o que hoje em dia é mais comum.
      Me diga, sinceramente, o que você, como “indivídua”, pode fazer por esta criança? Como você pode amenizar o sofrimento dela, sem ajudar toda a família? Como dar educação a todos, moradia, água encanada, esgoto tratado, emprego digno, pra que eles possam ter uma vida digna? Meu trabalho me deu oportunidade de conhecer estas realidades, e elas são bem horríveis de se ver. Você já esteve em algum lugar assim? Eu sempre me senti impotente, algumas vezes chorei ao ver um pai ser preso e as crianças perguntarem se iam ter que ir pro orfanato.
      Só que, infelizmente, os pobres e miseráveis são a maioria, não tem como a gente, que rala pra poder pagar as contas, ajudar uma família inteira. Você pode colaborar com pequenas coisas, mas elas seriam praticamente nada.
      Eu ainda vejo que a melhor forma de fazer algo quanto a isso é simplesmente cobrar que os governos façam aquilo pro que foram eleitos a fazer. Pequenas caridades são alguma caridade, mas não mudam e nem resolvem o problema de ninguém. Você pode entregar 10 cestas básicas por mês pra essa família, e assim você talvez resolva o problema da fome deles, durante algum tempo, mas e os outros problemas?
      😉

      • Oi Sis!
        Faz muito sentido a sua resposta se considerarmos que realmente os 10 centavos e as inúmeras cestas básicas não resolvem o problema, que é muito mais profundo e está relacionado com a falta de estrutura e tudo o que você escreveu acima. Sim, essas questões sociais deveriam ser resolvidas pelos governantes – afinal é para isso que eles foram eleitos – o que não acaba acontecendo pelos motivos que conhecemos. E aí que não temos Estado de bem-estar social e estamos enraizados numa democracia delegativa ao estilo “voto porque é obrigatório, afinal não vai virar em nada mesmo”, é só votar que o papel está cumprido. Cobrar, participar, está fora de cogitação. E concordo com você que há muitos outros problemas e que individualmente o resultado é mínimo e ineficaz a médio e longo prazo.
        A relação que fiz entre problemas sociais e a defesa dos animais foi para exemplificar a incoerência de muitas pessoas ao defender certas causas e ignorar outras tão quanto importantes. Essa é a minha crítica. Meu exemplo dos “10 centavos” foi infeliz por não dar conta do argumento que eu defendi. Só para esclarecer, eu não sou a favor do uso de peles e alimentação carnívora por uma questão PESSOAL e não porque acredito que seja essa uma bandeira a ser defendida e que quem pensa diferente de mim tem uma atitude “abominável” e por conta disso seria até a favor da fogueira da Inquisição. Só tentei deixar explícita a minha defesa pela coerência e repúdia a hipocria. Desculpa se causei no seu blog.

    • Desculpe, mas acho essa idéia bolorenta: “por que em vez de se preocupar de animais, não cuidar de crianças?”

      Acho que se cada pessoa fizesse a diferança, abraçasse a causa que mais ama – animais, árvores, idosos, enfermos, a praça do bairro, etc – a situação estaria um pouquinho melhor. Aliado a isso, cada um deveria ser um cidadão participativo: frequentar as ALES, cobrar das empresas concessionárias, visitar sites de transparência, formar grupos para lutar pelos direitos, etc.

      Além disso, uma indignação não exclui a outra, é possível estar atenta e ser ativa em relação a mais de um aspecto em que se deseja mudança de posturas.

      Cada pessoa tem um talento, logo acho louvável alguém que tem a coragem de se doar a algum tipo de causa, ainda que a maioria julgue ser algo inferior. Portanto, muitas vezes alguém que tem condição de cuidar e/ou lutar pelos animais, não tem capacidade de fazer o mesmo pelos semelhantes (quer condições emocionais, materiais, quer condições afetivas).

      E mais, criança ou adulto em situação de abandono não demandam os mesmos cuidados que um animal, ou seja, precisam de atenção maior, de ter pessoas mais aptas a ajudá-los. Assim, pensamentos como esse, na verdade, não estão a favor das crianças.

      Finalmente, ao valorar quem merece ser atendido em detrimento de outros, corre-se o risco de ficarmos inertes, pois sempre aparecerá algo que, conforme o avaliador, será mais importante que outra. Por exemplo, crianças em situação de risco merecem atenção, mas dentre essas há as com doentes, há ainda as com doenças mais severas e outras com doenças menos severas, etc.

      Não escrevo esse texto em tom de briga, mas apenas reflexão. É possível conciliar engajamentos, bem como optar por apenas um (sem importar qual é essa causa). É comum as pessoas (não refiro-me a vc, seria um erro, uma vez que não a conheço) julgarem quando alguém atua em prol dos animais, porém pouco ou nada as vejo fazerem conforme o próprio discurso, até porque quem realmente faz a diferença está tão preocupada e apaixonada pela causa que não perde tempo para criticar o outro e, muitas vezes respeita e se solidariza com a causa do outro por conhecer as dificuldades.

  23. O que eu detesto, na verdade, é quem critica discurso sobre os animais, seja para salvar a periquita verde do litoral de Botwana ou o peixe morcego do pântano da Transilvania, argumentando que antes de ajudar um, deveria ajudar crianças, velhos, doentes, etc, etc, etc. Então, quer dizer que se vc não fizer nada nem por um nem pelo outro, tudo bem? Aí vc não é hipócrita e uma mistura de Hello Kit com Ursinhos Carinhosos in love??? Mas, se vc quiser adotar alguma coisa relacionada a animais ou meio ambiente, vc deveria ajudar os seres humanos antes?

    Primeiro, ninguém sabe se vc realmente não faz outras coisas além de defender os animais. Porque a discussão não é outra, certo? A discussão é sobre uso de peles, alimentação carnívora, crueldade com os animais. Pra ter aval de adotar essa causa vc precisa mostrar currículo de ativista humanitária primeiro?? É a mesma coisa de quem critica alguém que tem um cachorro, dizendo que tem muita criança pra ser adotada. E, normalmente, quem abre a boca nem tem cachorro, nem adotou criança nenhuma. Mas aí… bom… aí tudo bem. Não faço porra nenhuma, mas não sou hipócrita.

    Estamos falando sobre animais. Que, DIFERENTE dos seres humanos, não tem livre arbítrio e inteligência para não estar à mercê das vontades humanas. Comparar animais e seres humanos é o cúmulo da ignorância e limitação intelectual. Quando a discussão for sobre crianças carentes, fome no mundo, a situação dos sem-teto, os idosos na sociedade, a gente conversa sobre o que ou se faz algo por eles. Patético é eu tentar me justificar informando currículo de ações em um asilo da zona norte de São Paulo, pra ter moral pra poder criticar o uso de peles e a crueldade nos abates da indústria de carne.

    Seguindo esse raciocínio, devemos ajudar primeiro as crianças no Haiti, antes de dar 10 centavos pra criança em farol que, no Brasil, ainda vive melhor do que os haitianos. Tem sempre alguém pra justificar algo feito, criticando por não ter feito outra coisa antes. Crítica super produtiva. Bem categoria Sapateando na Lama…

    • Complementando… Justificar o uso de peles como sendo questão cultural também é coisa de quem gosta de arrumar argumento pra justificar escolhas que não tem outro argumento para explicar. A escravidão também era “cultura” no seu tempo.
      Ah… antes de terminar, apedrejar mulheres também é cultura em alguns países, dona Viajante. Escolha bem seu próximo roteiro de viagem, porque, se acabar enterrada até o peito com várias pedras apontadas para você, pode ouvir: Tá reclamando do que? É a nossa cultura.

      Pra mim, uma pessoa que diz que o motivo principal de não usar peles ou comer carnes é o paladar e o estilo de se vestir, e não o fato da dor provocada à um ser vivo no processo de fabricação ser IMPENSÁVEL E ABOMINÁVEL, combina mais com a vida na época da Inquisição Espanhola.

      • Oi Ana Cristina,
        Meu comentário não foi pessoal para a Sis e nem para nenhuma pessoa específica. Afinal não a conheço e nem você, por isso não pretendo aqui supor características da sua vida pessoal a partir de qualquer comentário que você tenha eventualmente feito.Diferentemente do que você fez.
        Falar de Hello Kitty e Ursinhos Carinhosos foi uma ironia, que pelo jeito você não captou, assim como o exemplo dos 10 centavos.
        Enfim, como a Sis deixa bem explícito acima no “política de comentários” não quero ofender ou supor coisas de ninguém. Por exemplo, eu citei a Rússia, mas você não sabe o contexto o qual permitiu que eu estivesse lá e resolvi comprar um tchanka de pele animal. Não sabe da minha formação, profissão, vivência e experiência para vir me dar lição de moral a respeito da cultura de outros países e demais injustiças. E não será aqui, nem muito menos para você que eu devo expor isso para justificar meu comentário.
        A minha indignação, para que não restem dúvidas, é a respeito da incoerência das pessoas, em apoiar determinadas causas e fechar os olhos para outras e ainda achar que está fazendo algo muito digno. Por isso que eu citei os menores abandonados, tipo a pessoa se importa e levanta a bandeira dos animais, mas ignora o menor abandonado, um humano.
        Em meu comentário eu não defendi o uso das peles ou a alimentação carnívora, eu só disse que é uma questão pessoal. Que não são hábitos PARA MIM (não quer dizer que é certo ou errado) por questões sim de paladar e vestuário.Se para você e muitas outras pessoas uma questão de complacência para com o sofrimento deles, ótimo. A questão é o que mais você faz a respeito? Com o que você está contribuindo? Afinal não são só os animais que sofrem. Se a questão é evitar o sofrimento alheio há muito mais o que fazer do que ser membro do Peta e comentar em blogs. Porque tem muito ser vivo por aí sofrendo em função de atrocidades vivenciadas diariamente, seja no Haiti, na periferia, nos matadouros ou em qualquer outro lugar.
        Hipocrisia seria eu defender uma causa que não é minha – tipo as baleias whatever do Zimbábue – e não dar a mínima para questões sociais a minha volta ou simplesmente não fazer nada.
        É essa a minha crítica a incoerência alheia, agora se você não faz nada em relação a nada, parabéns você não está inclusa nesse grupo de pessoas incoerentes.
        Para você pode ser que não seja uma questão pessoal e sim uma bandeira a ser levantada e defendida. A minha intenção aqui nesse comentário não foi te convencer de nada, apenas complementar o comentário anterior e esclarecer os pontos que deram margem aos seus comentários…o que eu já não conto vindo de você, afinal como Hamlet disse para a mãe dele: “o discurso culto torna-se patife ao ouvido idiota”.

      • Perfeita citação. A questão é… Qual discurso é o culto e quem é o idiota ouvindo… Já que a minha menção à inquisição foi mal entendida e incorretamente interpretada (dada a sua resposta para a autora do blog), devolvo de presente para você a sua própria citação.

      • Cabe aqui então então encerrar nosso assunto – pois acredito que temos muito mais o que fazer do que ficar discutindo por aqui e nenhuma de nós vai mudar de opinião – citando a famosa frase de Millôr Fernandes: “Às vezes você está discutindo com um imbecil… e ele também.” =D

      • Ah, mas quando os argumentos são fortes, eu mudo de idéia, sim. Aliás, aproveitando a empolgação das citações, se eu não me engano, foi Umberto Eco quem escreveu: As pessoas nascem sempre sob o signo errado, e estar no mundo de forma digna significa corrigir dia a dia o próprio horóscopo.
        Mudar de idéia, muitas vezes, tem relação com humildade e crescimento. O problema é que nem todo imbecil descobre que, na verdade, apenas está conformado com o signo errado.

        Sis, gostaria de ter metade da sua classe e paciência para expressar seu ponto de vista. Na minha opinião, essa característica da sua personalidade é o que defino como ser elegante e o que considero que deveria sempre estar na moda. Quem sabe, um dia, eu chego lá…

      • Meninas, em primeiro lugar, NÃO BRIGUEM! rs! Acho que podemos chegar a algum consenso aqui sem que precisemos nos alfinetar.
        Pois bem, começando: Poema, a Ana tem razão em muitos aspectos, e eu vou tentar explicar da minha forma porque concordo com os motivos dela. O primeiro é que nós, humanos, somos os únicos seres racionais que habitam este planeta. Assim sendo temos uma capacidade imensurável, seja para fazer o bem, seja para fazer o mal. As pessoas do mundo que estão em situação de miséria, estão em situação de miséria por culpa de outras pessoas, e não dos animais. Nós que criamos o dinheiro, e como consequência, todos os males que dele vieram. Nós que criamos a exploração de pessoas e animais, o desmatamento, as armas, as guerras, a poluição… Nós somos responsáveis por todos os males do mundo, e nossa simples existência, nos moldes do que chamamos de “viver em sociedade”, é um mal em si. A meu ver, como já deixei claro no texto, só as tribos conseguem viver da natureza e sem afetá-la a ponto de causar impacto.
        Logo, somos responsáveis pelas pessoas, e, para cuidar delas, de nós, criamos o que chamamos de Estado, em que governos assumem a responsabilidade de zelar pelo bem estar social. Para isso, pagamos. Se pagamos, devemos cobrar.
        Porém, somos também responsáveis pelas baleias, pelos morcegos, pelos gafanhotos e por todas as criaturas que vivem sobre a terra, inclusive árvores, plantas e afins. Até porque a NOSSA existência depende do equilíbrio de todas estas criaturas! Sem morcegos, abelhas e insetos, não temos polinização, sem baleias, não temos o equilíbrio dos plânctons (fito e zoo) e etc. E sem equilíbrio, temos a proliferação do que chamamos de pragas, que acabam não só com o ambiente natural, como com o ambiente nada natural que criamos. O excesso de pragas acaba com a agricultura, com o gado, com as galinhas, com os peixes, com tudo aquilo que plantamos ou criamos para a nossa subsistência.
        Assim sendo, não podemos nos preocupar somente com as crianças, os velhinhos e os miseráveis, também devemos nos preocupar com a biodiversidade, pois dependemos dela!
        Eu acredito, então, que este seu argumento, Poema, neste aspecto, é raso. Raso porque nenhuma causa defendida é uma má causa a se defender, todas as causas que as pessoas abraçam acabam tendo algum benefício para toda a sociedade. Muitos cães e gatos abandonados nas ruas acabam infestados por doenças e parasitas, e estes acabam por contaminar humanos, que acabam por contaminar uns aos outros. A raiva, por exemplo, contamina a nós, aos cães, aos gatos, aos morcegos, e aos bovinos e suínos, animais que consumimos, e é letal. As pulgas e carrapatos infestam nossas casas e transmitem vírus com suas picadas. Por sua vez, estas pragas vão contaminar principalmente as pessoas mais pobres!! E por que os animais acabam nas ruas, infestados de parasitas, contaminando seres humanos, principalmente os de baixa classe social? Porque nós, humanos com escolaridade, com um padrão de vida razoável, bom ou alto, não fazemos nada, ou fazemos pouco para impedir!
        Por isso, é sim muito importante que tenhamos pessoas defendendo os cães e gatos de rua, as aves silvestres, as baleias e peixinhos dourados, as árvores e as flores, os morcegos e as borboletas, porque todos dependemos deles para sobreviver.
        Não existe causa mais nobre ou menos nobre a ser defendida, TODAS as causas têm sua razão de existir, e existem muitas, então simplesmente cabe a cada um escolher a(s) sua(s) e defendê-la(s), e não criticar as que os outros escolheram.
        😉

  24. ‘orai e vigiai’ ! Eh realmente uma grande pena que pessoas de classes sociais tão abastadas e supostamente cultas acreditem realmente que estes argumentos são plausíveis diante dessa situação! A impressão que eu tenho eh que perguntaram pra eles que goras são e eles deram uma respostinha tola, bem pra nao passar em branco mesmo! O fato eh os animais nao podem continuar respondendo por nossos luxos e vontades mais supérfluas! A questão eh grave e merecem medidas e respostas mais contundentes, ainda mais neste cenário de ‘desenvolvimento sustentável’ que nos viemos.
    Eu espero que os órgãos de proteção aos animais tomem medidas contra esses estilistas marcas e usuários pq uma coisa eh fato: se eles ainda utilizam peles de animais eh porque tem mercado consumidor!

  25. Do jeito que as coisas andam daqui a pouco vão fazer virar moda utilizar peles humanas, tipo, dos mortos, já morreu mesmo… vai disperdiçar? rsrsrs Seria uma ótima idéia os pixadores protestarem em peles não?

  26. Esse discurso repetitivo da mocinha que acha que ninguém sabia que a expressão ‘hello kitty e ursinhos carinhosos’ era ironia já está mais do que batido, cheios de clichês e falácias. Esse discurso sempre vem, digo mesmo sempre vem de gente que não faz nada por ninguém. NINGUÉM. Quem realmente ajuda pessoas não perde seu tempo atacando que está discutindo sobre um assunto diferente. Quando essa mesma gente discute sobre novelas, grifes, churrascos, farras no shopping, baladas e bobagens do tipo será que elas gostem que as cortem para falar das pessoas que estão passando fome? Com certeza não, elas vão achar que é algo totalmente fora de contexto, de sentido. Será que essetipo de gente passa o dia falando das injustiças sociais? Nem falam! Nem lembram! Nem querem saber! Então por que vem atacar quem é contra ao uso de peles de animais? Enquanto um rico ignorante exibe um casaco de pele ou caça um animal por lazer, isso melhora em que a vida da população do Brasil e do mundo? Deixa o mundo mais justo? Não. Então por que vem atacar em espaço como esse? Isso sim é hipocrisia e incoerência. Quem realmente ajuda pessoas tem mais o que fazer do que vir em blogs gastar seu tempo em atacar quem é contra a algo extremamente fútil e sádico que não ajuda em nada a vida de uma maioria de uma população que muitas vezes é vítima de um mundo governado até mesmo por gente que usa peles de animais. A sócia daquela loja luxuosa que cometia ‘falcatruas’ era a favor do comércio de peles de animais e suas ‘falcatruas’ prejudicavam o país e contribuía para a pobreza e injustiças do país. Mas ninguém critica isso nessa panelinha, ninguém vai nos blogs dessa panelinha de gente egoísta, mimada, fútil para lembrar que tem gente passando fome não é mesmo? Só fazem puxar-saco? Essa turma não tolera críticas de jeito nenhum. Quando exibem um casaco de pele caríssimo em seus blogs não aceitam e não toleram críticas sociais sobre outros humanos que não tem nem onde morar. Apagam comentários e aindadão lição de “moral”. Pois é! Que estranho. Seres racionais e com sensibilidade evoluem, criam a sua cultura e não ficam usando o termo cultura de uma forma oportunista para justificar sua estupidez que segue por escolha própria. Lhe (mal) educaram assim? Se eduque, amadureça, cresça, procure ter suas próprias idéias. Até mesmo um estilista brasileiro falou que escravidão (humana) era moda que já passou, pois é. Isso não foi alvo de críticas, que curioso. Pois ele estava falando de seres humanos sabia? Acha mesmo que quem faz parte desse mundo fútil e sádico que explora pele de animais se importa com seres humanos? Faça-me o favor. Até alguns que criam algum programa de caridade e filantropia para se exibir, sonegam impostos e praticam outros crimes por baixo do pano. Quantas grifes que usam peles de animais praticam o trabalho escravo de humanos em suas fábricas, especialmente em países subdesenvolvidos? Várias, talvez a grande maioria. Se realmente se importa com pessoas, vá ajudar pessoas que é o que vc não está fazendo e isso deve começar por quem ataca. Não vai não é? Justamente porque quem realmente ajuda pessoas de verdade não ataca quem se sensibiliza com algo tão fútil, tão estúpido e nem as manda fazer algo que vc mesma não faz. Isso é uma tremenda hipocrisia da parte dessa mocinha. Esse tipo de gente causa nojo e ainda contribuem com sua futilidade e hipocrisia para a pobreza e injustiças sociais que usam de forma oportunista. Esse tipo é mais vergonhoso do que os próprios estilistas e suas consumidoras fúteis assumidas. Vá ajudar gente!

  27. Carta à Thássia

    Pessoas que tem tudo na vida como voce acabam sendo referencia para outras pessoas.
    Assim, tem por obrigação devolver ao universo um pouco da felicidade que conquistou como forma de agradecimento.

    Usar peles de animais e saber que com isso está incentivando o uso para centenas de pessoas é muito pesado.
    Com isso, a cultura de devastação, de maltrato aos animais, de abandono, a cultura do ‘vamos usar e que se dane’ é aumentada por voce.

    Com toda sua fama, podia ser muito mais que isso e dizer não abertamente ao uso de peles, voce pode.

    Pense direito, com sua fama vem tambem a responsabilidade por aquilo que voce ensina.

    Espero que entenda não o que eu estou dizendo, mas o que o universo está dizendo.

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