Quanto custa o supérfluo?

Há dois anos que não publico nada aqui no blog. E, depois de ler o texto no link que segue ao final, senti vontade de escrever um novo texto por aqui para explicar (parte do) o porquê.

Primeiramente porque minha vida deu muitas voltas. Mas nada disso interessa aqui.

E, depois, porque eu cansei completamente de acompanhar o que vinha acontecendo nesse “mundinho fashion” da internet, blogs, revistas, tendências. Cansei dos “trend setters”, das “it girls”, dos “looks do dia”, dos termos, das cores velhas com nomes novos e das “repaginadas” que tudo sofre pra nos venderem uma ideia velha como se novidade fosse.

Parei de seguir /ler/olhar todos os blogs de “moda”, maquiagens e afins e olhar mais pra mim. Do que eu realmente gosto? Do que e de quanto eu realmente preciso?

Foi quando olhei pro meu armário e pros tantos pares de sapatos altíssimos e que eu usei apenas uma ou duas vezes, mais ocupando espaço do que tendo alguma utilidade pra mim. E pras peças de roupa e bolsas na mesma situação; umas porque caí na cilada de comprar uma “tendência” que não tinha nada a ver comigo, outras porque não combinavam com quase nada que tenho, algumas porque eram desconfortáveis…

Fiz umas 3 ou 4 “limpas” no closet em um ano e passei pra frente tudo aquilo que vi que não precisava. Com menos peças e mais espaço, também pude observar o que realmente estava faltando pra mim, e vi que na verdade eram especialmente peças confortáveis, para uso no dia-a-dia, ou para atividades desportivas.

Também passei a pensar no preço real das coisas, observando o quanto estamos pagando caro por produtos de má qualidade, e mais caro ainda por etiquetas, que, ainda que tenham qualidade, não valem o valor cobrado.

Peças de fast fashion que, muitas vezes, sequer são baratas, apesar de produzidas com uso mão de obra escrava. Bem, e pior ainda, a gente se acostumar a comprar essas peças sem se chocar com o fato delas serem produzidas com uso de mão de obra escrava! Bolsas que custam tanto quanto carros em um mundo em que tantos passam fome, não podem e nem devem ser uma coisa que consideremos como “normal”! Nem esse discurso do “exclusivo”, do “luxo”, e do “ganhe mais dinheiro para comprar mais coisas que não precisa”. Quem quer ser um milionário? Se formos observar, essas pessoas no fim parecem todas iguais, vestem-se iguais, e fazem as mesmas coisas. Tem algo menos “exclusivo” que ser igual a todo mundo com quem você convive? “Verão Europeu” badalando em Ibiza e St Tropez. Comprinhas do enxoval em Miami.

Enfim, depois de toda essa “limpa”, mais espiritual que material, foi incrível observar o quanto de dinheiro que me sobrou pra gastar com coisas bem mais interessantes, como sair mais com os amigos, viajar, fazer cursos e aprender coisas novas. O que sempre faltava e às vezes causava dores de cabeça, passou a ser suficiente, e até a sobrar.

Nunca mais precisei reclamar de dinheiro, e é incrível o quanto toda a minha vida inteira passou a ser melhor e mais positiva depois dessa mudança: conheci pessoas muito mais interessantes (logo, tornei-me também mais interessante); passei a procurar fazer coisas novas e acabei não só descobrindo novos talentos, mas também percebendo potencial para realizar sonhos que estavam adormecidos há muito, além sonhos “novos” que eu nunca tinha ousado sonhar, tanto porque achava que eram muito distantes e não poderia nunca realizá-los, quanto por sequer ter a criatividade e imaginação necessárias para percebê-los.

No fim, o supérfluo custa muito mais que apenas dinheiro; custa a nossa originalidade, a nossa aceitação, a nossa paz.

Em resumo: tenha orgulho de repetir roupa, pois roupa não é descartável. Se for comprar coisas novas, o mercado atual está cheio de marcas artesanais que fazem coisas originais, criativas, de qualidade e por um preço acessível. Você movimenta a economia de forma positiva, distribuindo lucros entre pequenos empresários ao invés de enriquecer ainda mais as grandes corporações e não precisa escravizar ninguém.

Não compre por comprar, nem guarde se você não precisa daquilo: doe. Colecione e acumule menos – você precisa mesmo de 15 batons vermelhos da MAC, 9 bases de marcas diferentes e 11 tubinhos de rímel? – Aliás, que tal usar menos maquiagem e gostar mais de si como realmente é, com manchinhas do sol daquele verão inesquecível e ruguinhas de todos os sorrisos que você sorriu na vida?

Enfim, o post que me inspirou hoje a escrever este texto.

http://www.stylourbano.com.br/o-fast-fashion-esta-obsoleto-diz-pesquisadora-de-tendencias-li-edelkoort/

Narcisismo e tempos modernos

“Narcisismo aumentou tão rápido como a obesidade durante os passados 25 anos e um estudo hoje mostra que é o dobro desse ritmo desde 2002.”

– A Psicóloga Drª. Jean Twenge, autora de The Narcissism Epidemic: Living in the Age of Entitlement (trad. A Epidemia do Narcisismo: Viver na Era da Titularidade)

Como sempre discutimos aqui questões relacionadas ao mundo dos blogues e das redes sociais, achei interessante copiar aqui um artigo que li sobre narcisismo e que faz uma relação com o que postamos nas redes sociais.

Leiam vocês e deixem suas opiniões nos comentários! Alguma semelhança com a maioria das blogueiras de moda e com as suas fãs?

“Você costuma descrever o seu dia a dia no Facebook? Tem divulgado no Twitter suas conquistas e bens? Tem o hábito de falar abertamente sobre seus relacionamentos “perfeitos” em público? Acha que o mundo gira em torno de você? Se sim, você pode ser diagnosticado como o que se conhece comumente por narcisismo. Você pode até pertencer à variedade mais branda, mais normal, mas não menos prejudicada pelo próprio comportamento. 

Atualmente, pergunta-se com frequência se narcisistas são bons ou ruins para a sociedade. Existem respostas para todos os gostos, embora haja certo acordo de que pessoas com egos inflados podem representar certo perigo. Egocêntricos costumam relacionar-se de forma superficial e costumam se achar superiores. Gostam de se expor nas rodas de amigos, não admitem que outro chame mais atenção e esperam sempre que alguém narre suas qualidades. 

Os narcisistas ocupam parte de sua energia angariando elogios, desejando a aprovação e a admiração. Muitas vezes, não têm noção sobre como as situações parecem da perspectiva dos outros. Sensíveis ao serem ignorados, os narcisistas gostam de exibir suas conquistas e de falar sobre seu corpo ou beleza. A geração da internet é ainda mais narcisista e adora exibir sua vida sempre em perfeita ordem, mostrar seus bens e conquistas materiais na rede. 

Mas será que os narcisistas são felizes? De acordo com a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, o narcisista precisa ser valorizado para se sentir admirado. O problema é que a convicção é instantânea. “Ele precisa repetir infinitamente o ritual para poder acreditar novamente. É mais ou menos como o efeito do crack, por ser tão breve, a pessoa precisa consumir a droga o tempo todo para obter a sensação de gratificação.” 

Existem diferentes causas para explicar a necessidade de autoafirmação do narcisista. Segundo Mara, uma das origens está ligada ao convencimento. “Ele pode acreditar que convence os outros. É quase a mesma coisa quando você aprende que tem de se valorizar e ter pensamento positivo. Então, a maioria das pessoas pensa que isso tem a ver com enaltecer a si próprio e afirmar que é bom. Ele imagina que afirmar repetidas vezes acabará convencendo as outras pessoas.” 

Outra explicação é porque não se considera bom o bastante como pessoa. “Ele precisa acrescentar mais itens no rol de características para elevar sua reputação”, afirma Mara. Quando exibe suas posses (diferente de compartilhar com pessoas íntimas ou interessadas), o narcisista envia uma mensagem. “Você está vendo o meu poder? Eu sou realmente bom, não sou?”, afirma Mara. 

Segundo a psicóloga, se alguém se opõe ao narcisista, ele trata de imediatamente encontrar justificativas racionais para a oposição. “Atribui a discordância à inveja, incapacidade do outro, entre outros, para retirar de si o medo de não ser tão bom quanto julga ideal.” Alexandre Caprio, psicólogo cognitivo comportamental, afirma que a rebeldia é comum. 

“Ao se sentir frustrado, o narcisista rotula as pessoas como incapazes de compreender sua verdadeira importância.Inferioriza e desclassifica as realizações alheias, assim como a forma como conduzem suas vidas. Pretende, com isso, aumentar a desigualdade que pensa haver entre ela e os demais.” 

Aceitação 

Aceitar-se do jeito que se é é positivo. Pessoas bem resolvidas não precisam de exposição e da necessidade de aprovação. “Tem um ótimo funcionamento da personalidade, sem traços patológicos de narcisismo e com boa autoestima. Elas estão seguras sobre quem são, do que podem ou não e convivem bem com isso”, afirma Mara. 

Segundo a psicóloga, pessoas saudáveis nesse sentido se ocupam em buscar meios de aprimoramento. “Tentam ser melhores por meio de ações consistentes e significativas, que vão além de seus próprios umbigos. As preocupações saudáveis têm propósitos mais amplos, não se limitam à satisfação do próprio ego”.”

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Comportamento/86545,,O+narcisista+pode+minar+relacionamentos+e+afastar+amigos.aspx

La mala educación

Depois de muito tempo sem postar (às vezes a inspiração custa muito a aparecer…), hoje venho aqui falar de uma temática que nada tem a ver com a moda em si, mas sim com o nosso comportamento na internet, tanto nas caixas de comentários de blogs e sites como nas redes sociais. Acredito que este post também possa ser considerado uma continuação do “Feias, gordas e pobres – só pode ser inveja”, só que um pouco mais abrangente, estendendo-se por todo o território da internet.

O primeiro ponto a ser abordado é exatamente a falta de educação das pessoas quando protegidas pelo anonimato e por acreditarem estar em um “território sem lei”. Sei que a maioria das pessoas que acessa meu blog vem direcionada por blogs relacionados à moda, nos quais eu acredito que esta falta de educação se dê de uma maneira mais leve. Isso não quer dizer que entrar no blog de uma pessoa e dizer a ela que ela é feia, gorda, pobre, tem pernas tortas, nariz feio, cabelo “ruim”, celulite, ou qualquer outro xingamento seja “leve”, mas não passam de xingamentos infantis proferidos por pessoas com mentalidades infantis, tão infantis que chegam a ser ingênuas em praticamente todas as áreas das suas vidas.

Estes adultos com mentalidade infantil normalmente são as pessoas “que fazem parte dessa massa”, ou seja, que se comportam como a maioria. Seus gostos musicais são clichês, frequentam ou gostariam de frequentar a baladinha da moda, usam aquelas peças que serão as mais batidas da estação, sempre se vestindo como todos os demais (ou, ao menos, como os demais membros de seu grupo), têm um iPhone (que muitas vezes custa dois ou três salários seus), assistem BBB, futebol e novela das oito. Dão muito valor às aparências das pessoas (e sempre procuram por defeitos em seus “inimigos”) e a bens materiais.

Suas opiniões sobre problemas complexos como a corrupção política e a criminalidade são sempre simplistas e totalitárias, compartilham frases sobre deus incessantemente nas redes sociais – embora violem grande parte das “regras divinas” que costumam compartilhar, sendo legítimos hipócritas -, e gostam de dizer que ele guarda o melhor pra elas, embora não façam muita coisa pra conquistarem o que desejam nem sejam necessariamente merecedoras “do melhor”. Ainda, orgulham-se de ser “super sinceras” e por “falar na cara mesmo”, mas geralmente são apenas inconvenientes e adoram impor sua opinião. E não estou dizendo que quem tem uma ou duas destas características é assim, mas normalmente estas pessoas apresentam um “pacote” com várias delas.

Eu conheço e convivi/convivo com pessoas deste tipo, e, como boa observadora que sou, aprendi a identificá-las em poucos minutos de contato e conversa. Estas pessoas são mal educadas e grosseiras até quando estão cara-a-cara com você, não se contendo e sempre soltando algum comentário maldoso na sua cara mesmo, como “vc deu uma engordadinha nas últimas semanas?” (ou uma variação, dizendo que a peça “x” de roupa que você está usando naquele exato momento ressalta algum defeito seu que ela fez questão de encontrar).

Só que quando a coisa fica anônima… elas perdem as estribeiras. Tendo a oportunidade de se esconder na internet, destilam todo o seu veneno contra as pessoas que elas fazem questão de odiar de forma velada (ou não), quando as conhecem pessoalmente, ou mesmo contra quem nunca viram pela frente mas acompanham pela internet.

Eu acredito que todo mundo “stalkeia“. Eu “stalkeio” algumas pessoas, porque elas acabam servindo de inspiração, com as quais a gente se identifica de alguma forma. Outras pessoas a gente acaba “stalkeando” porque nos rendem boas risadas, sejam famosas ou anônimas, e embora isso não seja a coisa mais nobre a se fazer, humanos não são nobres sempre… rs. Quem nunca leu uma fofoquinha de celebridade pra descontrair? Quem não gosta de um “bafão“? A vida geralmente é séria e dura, então às vezes é um alívio ver que tem pessoas fazendo/sofrendo mais merda do que você.

Mas tudo deve ter um limite… e eu, particularmente, acredito que a maldita mania que temos de opinar em tudo acaba quase sempre ultrapassando. Falando nas blogueiras, por exemplo, eu até entendo que suas seguidoras opinem nas roupas que elas vestem nos “looks do dia”, ou em alguma coisa de seu físico quando a própria blogueira pergunta (“cortei o cabelo, o que vocês acharam?”), mas ainda que a opinião seja pedida, às vezes é bom maneirar na “sinceridade”.

Analisando que cada um tem sua própria visão de mundo, seus gostos e suas opiniões, é impossível haver uma só “sinceridade”. Se eu prefiro mulheres com cabelos castanhos, posso ser sincera ao dizer a uma amiga que acabou de ficar loira que o tom de cabelo anterior era mais bonito, mas certamente uma pessoa que ame cabelos loiros vai achar o contrário. E se ela mudou a cor do cabelo, foi porque ela quis, oras. Então pra que ser a pessoa que vai jogar um balde de água fria?

Se  alguém pediu a sua opinião, é porque a valoriza, mas também porque, principalmente, a pessoa quer que você diga o que ela quer ouvir. “Ah, mas quem pergunta o que quer, ouve o que não quer”. E por que você tem que ser o(a) babaca que fica por aí dizendo o que os outros não querem ouvir? Por que a sua opinião tem que ser emitida a qualquer custo? Por que você se sente no direito de julgar todas as pessoas conforme aquilo que você acha?

Claro que as pessoas que chegaram até aqui e estão loucas pra “opinar” e criticar meu texto vão dizer que eu tenho textos em que critico certas atitudes de pessoas e mesmo alguns “looks” de blogueiras e famosas. Sim, no MEU blog, eu dou a MINHA opinião. Eu não entro em contato com estas pessoas nos blogs/facebooks/instagrams delas pra dizer “olha aqui, fulana, você nunca me viu na vida, não sabe nem que cara eu tenho ou meu nome verdadeiro, mas, com toda a sinceridade, essa roupa não caiu bem em você”. Quem faz desta forma, faz questão de ser lido, questão de que a pessoa alvo da crítica saiba o que ela pensa, porque quer se sentir importante. Eu não faço questão, porque acredito que pra estas pessoas, a minha opinião seria irrelevante. Se elas aparecerem por aqui, lerem e acharem válida, que bom, eu as fiz refletir de alguma forma. Este é o objetivo. Se não, não faz diferença pra mim também.

Como já me alonguei demais (pra variar, mas a maioria das pessoas que gosta do blog acaba gostando dos textos longos), se você for este tipo de pessoa que gosta de impor suas opiniões, fica a reflexão: por que você tem sempre que opinar/criticar? Por que as outras pessoas têm que agir, vestir-se ou se parecer com aquilo que você considera certo/mais bonito? Será que você é tão importante assim pra ser levado em consideração por todo mundo? Será que o que você pensa é mais importante do que o que a pessoa que você critica/criticou/criticará pensa sobre ela mesma? Você gostaria que todas (pense em TODAS mesmo) as pessoas que vivem ao seu redor vivessem dando as opiniões delas sobre você? Se TODOS opinassem sobre seu cabelo, seu corpo, suas roupas, suas escolhas, seus namoros, seu estilo de vida, sua idade pra casar, sua carreira, quantos filhos você deve ter, quantos cachorros (ou gatos?), você provavelmente preferiria passar o resto da vida trancada em um quartinho escuro, porque ficaria maluco(a) de ouvir tantas opiniões diferentes sobre si. Provavelmente não ia nem saber mais o que você realmente pensa se si.

Então, faça um favor às demais pessoas, que certamente já aturam mais críticos e “opinadores” do que gostariam (e provavelmente a maioria tem opiniões diferentes das suas!): não seja um deles. Seja gentil, educado, e saiba que calar a boca de vez em quando. “Melhor não falar nada e deixar que pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”…

 

Culto à babaquice

Primeiramente, gostaria de dizer aos leitores uma boa nova: the bitch is back! Concluí meu artigo científico (quase, só faltam as considerações finais e a última palavra do orientador), abri a mão e comprei um computador decente (o meu andava temperamental), e agora posso me dedicar um pouco mais aos textos do blog. Gostaria de agradecer ao povo que continuou acessando na minha ausência e deixando comentários.

E para retornar, inspirada por uma gigantesca festa de música eletrônica que está acontecendo nas proximidades de minha humilde residência neste final de semana, vou escrever sobre o culto à babaquice.

Acho que desde que a humanidade existe, temos esta necessidade de cultuar. Começamos cultuando a natureza, fomos criando deuses relacionados a ela para cultuar, criamos imagens para eles, pintamos cavernas, pirâmides e esculpimos suas formas em argila e pedra.

Em um dado momento, passamos a cultuar os humanos que nos dominavam: reis, rainhas, imperadores, sacerdotes e afins. As pessoas se reuniam para vê-los passar, para beijar suas mãos, para pedir bençãos, para ter qualquer tipo de proximidade com aqueles que detinham o poder, que espelhavam aquilo que todos sonhavam ter sido, mas não tiveram a oportunidade de nascê-lo (a riqueza já foi restrita a quem nascia nobre).

O mundo deu voltas, o dinheiro e o poder foram se distribuindo e hoje vivemos em um mundo em que, ao menos teoricamente, qualquer um poderia se tornar rico ou famoso, seja pela sua habilidade futebolística, talento (cof cof!) musical e artístico, pela beleza, pela sorte de apostar os números certos na loteria, pelo espírito empreendedor e, porque não, pela habilidade de praticar golpes e falcatruas afins.

Continuamos cultuando estas pessoas, que se tornam um exemplo de sucesso, que conquistam aquilo que gostaríamos de ter conquistado. Especialmente cultuamos aquelas que ganham dinheiro e fama quase instantâneos, afinal, quem não gostaria de ficar rico da noite pro dia? Não só as cultuamos como as defendemos, compramos brigas por elas, xingamos quem não gosta de “feia, gorda, pobre e invejosa“, porque somos todos lindos, ricos e sarados.

E também passamos a cultuar coisas: marcas e modelos de carros, roupas, sapatos, bolsas, aparelhos eletrônicos (os adoradores dos aparelhinhos de Steve Jobs são praticamente uma seita), panelas, cosméticos e, até mesmo, marcas de pinças de tirar sobrancelha.

Como se não bastasse termos nos tornado um bando de babacas que idolatram objetos, ainda levamos nossa babaquice a níveis extremos, tendo desmaios em shows de cantor sertanejo, enfrentando hordas de fãs enlouquecidos para ficar na frente do palco, tirar uma foto com algum artista, acampando durante dias na fila de entrada de um show de cantor internacional ou lançamento de alguma coleção ou loja famosa. Até mesmo tatuamos a cara da Nana Gouvêa.

Isso quando não nos tornamos babacas agressivos, que arrancam cabelos (se não cuidar, pedaços) e peças de roupa de artistas, acotovelam a rival que escolheu a última peça-desejo da liquidação, furam a fila da entrada do show passando por cima dos mais fracos…

Dizemos que “precisamos” de uma bolsa Chanel para viver, colecionamos 300 pares de sapatos, “vamos morrer” se não formos naquela festa que “todo mundo vai”, e não estamos contentes enquanto não formos os mais bem sucedidos, mais bonitos, mais magros, mais sarados, que conhecem mais lugares, mais pessoas (que importam conhecer), que aparecem em mais fotos e frequentam mais eventos “exclusivos”, e que têm os namorados(as) mais “tudo isso” também…

Até entendo este fenômeno entre adolescentes – a confusão de hormônios deixa a gente meio sensível e meio fanático por certos ídolos, mas eu tenho me preocupado com essa “adolescentização” dos adultos. Ninguém quer envelhecer, ninguém quer se portar nem ter as responsabilidades de adultos, pessoas com mais de trinta anos na cara ainda ficam competindo entre si pra ver quem compra o melhor primeiro; ando sem paciência pra conviver com essa gente.

Vamos tentar ter uma relação mais normal e saudável com nossos ídolos e com coisas materiais? Vamos lembrar que um sapato é um sapato – ainda que seja um Louboutin -, que uma loja-nova-hypada-1a-a-abrir-no-Brasil vai continuar lá depois da inauguração, que um cantor/ator/jogador famoso é uma pessoa de carne e osso (e que também fica com gases depois de comer feijão com repolho)? Que não vamos morrer se esgotar o estoque daquela calça que a gente queria antes de podermos comprar, nem se não formos à festa que todo-mundo-vai porque estamos com preguiça? Vamos viver um pouco mais em função de momentos gostosos com aquelas pessoas que amamos e que estão próximas de nós, andar mais descalço e menos de salto, e postar menos foto de comida chique no Instagram?

Vamos ser um pouco mais livres e mais felizes? Embora o dinheiro facilite a vida de todo mundo, a felicidade não é feita essencialmente de coisas que podemos comprar…

O homem é o lobo do homem*

Ontem eu recebi um comentário de uma pessoa identificada como “Marcella”, que me fez refletir. A Marcella escreveu:
“Esse papinho furado de que é feio falar da aparência física dos outros é tão hipócrita….deixa alguém levar um pé na bunda do namorado e ele começar a sair com outra….Duvido que a mulherada vai ser phyna e não falar mal da guria e achar um monte de defeito……ai que sono….”
Em julho, na aba Política de Comentários do blog, na qual eu esclareço que não aceitarei comentários ofensivos, tanto contra mim quanto contra pessoas mencionadas neste blog, por acreditar que a liberdade de expressão tem sim seus limites éticos e legais, alguém que se identificou como Fernanda escreveu: “Vc é uó!“. Também fui inspirada por esse excelente texto do Ativismo de Sofá (que é muito melhor que o meu).
Aí eu comecei a lembrar de outros blogs que leio, que tratam de assuntos polêmicos, como o feminismo, e que geralmente têm uma quantidade imensa de trolls,cujos comentários vão desde denegrir a aparência da pessoa até ameaçá-la de morte, ou desejar que ela seja estuprada, torturada, sofra de formas inimagináveis e queime no mármore do inferno pela eternidade.
Ainda, toda vez que abro um portal de notícias ou mesmo de fofocas fúteis como Ego e afins, e resolvo ler os comentários, deparo-me com uma reação de agressividade gigantesca das pessoas que comentam a maioria das matérias.Se alguém cometeu uma crueldade contra um animal? Que esta pessoa seja amarrada viva na traseira de um carro, arrastada por 10km no asfalto quente, e depois alguém jogue álcool e ateie fogo, que é pra ela aprender a deixar de ser cruel.Se houve um caso de estupro? Aí temos duas vertentes de comentários, a que diz que o estuprador tem que ser violentado na cadeia com um abacaxi e a que acha que a vítima era uma vadia sem-vergonha que estava pedindo pra ser violentada. Se uma mulher bonita namora um famoso “feio”? Porque essas piranhas só querem saber de dinheiro. E se é bonito? As vagabundas só ligam pra aparência.

No post sobre a Shame, eu mencionei que gostava (e gosto) do blog, mas que acreditava que ele seria ainda melhor se ela moderasse os comentários, evitando, assim, que muitas pessoas dedicassem aquele espaço a agredir e humilhar as pessoas postadas. “Mas como você é hipócrita, o blog da Shame é um blog de gongação”. Particularmente, eu acredito que há uma grande diferença entre humilhar e gongar, e que dizer que uma blogueira de moda, que tem um blog pra “inspirar” se vestiu mal, ou uma de maquiagem não sabe se maquiar não se parece em nada com dizer que ela tem o nariz medonho, a cara nojenta, ou que ela deve ser “corna”.

Nas minhas postagens, quando eu critico uma roupa ou uma atitude, eu costumo mencionar quem é a pessoa, não esconder o rosto (exceto se não foi a própria pessoa que divulgou a foto) e procuro sempre fazê-lo de forma imparcial e justificada, porque – pode parecer novo pra uns – a liberdade de expressão não é total e irrestrita. Sim, meus caros, ela deve obediência às leis e ao ordenamento.

Se alguém considera hipocrisia não humilhar pessoas por sua aparência física ou qualquer outro motivo, a única coisa que eu tenho a dizer é que isso, na verdade, chama-se civilidade. A civilidade é algo que possibilita a convivência, e seria impossível conviver em um mundo que cada um pudesse falar ou fazer o que quisesse sem se importar em como isso reflete no outro.

Com relação à natureza humana, eu, particularmente, compartilho do pensamento de Hobbes e Maquiavel, de que o homem nasce mau, que temos uma essência egoísta e vil, e que é o meio em que vivemos que contém os nossos impulsos. E é isso que eu percebo quando vejo estes comentários em sites, blogs e afins, que o anonimato na internet, essa sensação que as pessoas têm de liberdade irrestrita porque, em tese, não podem ser descobertas, leva a maioria a dizer coisas que não diria em voz alta na vida real e a vomitar preconceitos e julgamentos, porque as consequências de fazê-lo no mundo virtual são quase nulas.

Sendo humana (logo, acredito que tenho uma essência má), luto contra mim quase todos os dias, contra meus preconceitos, contra meu lado mau, contra meus impulsos. Sinto raiva, ódio e guardo rancores. Ocasionalmente, digo (ou mesmo penso) coisas das quais me arrependo, mas tento melhorar e não repetir meus erros.

Não me sinto nem um pouco hipócrita por não aproveitar a chance do anonimato pra humilhar pessoas. É normal sentir vontade de dizer “umas verdades” a outras pessoas, mas é anormal sentir necessidade de fazê-lo. É normal fofocar, mas é anormal viver em função disso. É anormal sentir-se bem ao ridicularizar alguém. É anormal dedicar a maior parte de seu tempo na internet a odiar e a manifestar violência contra quem você conhece ou não. É anormal regozijar-se com a infelicidade e a desgraça alheias.

O pior é que, com essa onda do “politicamente incorreto”, que só serve pra disseminar violência e preconceito, muitas pessoas acham que quem levanta a bandeira por um mundo melhor é chato e só faz mimimi, mas não adianta reclamar da corrupção, da criminalidade, das guerras, se você sequer consegue respeitar alguém na internet, só porque está anônimo. Acho que o hipócrita aqui é você.

* O título é uma frase do dramaturgo Plauto, que foi popularizada pelo filósofo Thomas Hobbes.

Blogagem coletiva pela guarda responsável de animais

Dia 23 de setembro aconteceu o 1º Max Encontro Nacional de Apoio a Protetores de Animais com objetivo de capacitar e principalmente mostrar ferramentas para que as ONGs e protetores consigam captar mais doações e voluntários pra causa.

E hoje, dia 24 de setembro, segunda-feira, os organizadores planejaram uma BLOGAGEM COLETIVA promovendo a guarda responsável de animais.

Eu sou a feliz proprietária de 4 animais adotados – dois cães e duas gatas – e de 2009 pra cá, além de colaborar com a ONG de proteção animal da minha cidade, também recolhi, cuidei em minha casa e arrumei lares para outros sete cães e uma gatinha. Fora que, durante toda a minha infância, sempre trouxe pra casa animais de rua…

As pessoas podem ajudar de várias formas, sem, necessariamente, adotar ou recolher um cão, quando não tiverem a possibilidade por já terem animais ou outros motivos. Como? Entre em contato com ONGs, a maioria está nas redes sociais e sempre publica os casos que precisam de ajuda. Você pode doar dinheiro, mantimentos, cobertores, apadrinhar uma castração, participar de mutirões de limpeza (em ONGs que mantenham canis e gatis).

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Além disso, é necessário que as pessoas conscientizem-se da necessidade de NÃO reproduzir e castrar seus animais. Essa história de que o bicho tem que cruzar ao menos uma vez é um mito, e só gera filhotes que se espalharão por aí e gerarão ainda mais filhotes. E castrando seu bichinho, se ele for furtado, roubado ou acabar fugindo, as chances de você encontrá-lo serão maiores, porque cães de raça não castrados acabam sendo receptados por criadores de fundo de quintal e passam suas vidas procriando sucessivamente para venda dos filhotes, até que não aguentem mais, quando são mortos ou descartados.

Ainda, as pessoas têm de saber o que acontece com os animais que acabam vendidos em feiras e em pet shops. Procurem por “fábricas de filhotes” no Google e verão do que estou falando. E é sério, não pensem que isto não acontece na cidade onde vocês moram, eu mesma já estive em um lugar destes, onde apreendemos 30 cães de raça – dentre shi tzus, yorkshires, pugs e lhasa apsos – todos infestados de parasitas, imundos e em estado de desnutrição. Alguns deles tinham sido furtados, porque essa gente só quer lucro e sai furtando animais de raça pra procriá-los e ganhar dinheiro com eles. Das ninhadas apreendidas, uma morreu inteira, pois a mãe não tinha leite e eles estavam desnutridos e doentes. Foi muito triste, e estes animais, apesar de serem de raça, ainda não foram todos adotados, mesmo esse caso tendo acontecido no começo deste ano. E, em algumas adoções, tiveram que ser recolhidos novamente, pois verificou-se que as pessoas estavam com más intenções com relação ao animal. Gente, vida de protetora é fogo, a gente vê muita coisa triste.

Quem quiser um animalzinho, deve primeiro lembrar que ele viverá em média 12 anos, terá gastos com veterinário, que ele fará xixi e cocô fora do lugar enquanto não se acostumar, e que vai roer coisas e cavar buracos (ou arranhar móveis, se for gato). E, ainda, que se ele ficar muito tempo sozinho, vai ficar deprimido e nunca vai parar de fazer estas coisas para chamar a atenção. Muitas pessoas compram ou adotam um único animal de pequeno porte e passam o dia fora trabalhando, vocês gostariam de ficar entre 8 e 10 horas presos, sozinhos, por dia? Esse problema normalmente se resolve ao trazer pelo menos dois pra casa… E não pensem que dois dão mais trabalho que um!

Enfim, se você puder adotar um animal, lembre-se que os adultos serão tão bons companheiros quanto os filhotes (e darão menos trabalho!), que os velhinhos são muito mais calmos e comportados (e querem viver o restinho de suas vidas com dignidade) e que os especiais (cegos, amputados, paraplégicos, com deformações ou sequelas de doenças, maus tratos e acidentes) serão eternamente gratos por terem uma nova chance, e, dependendo do probleminha deles, nem dão mais trabalho ou despesas que cães com a saúde perfeita!

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Pensem também na guarda responsável, que significa, além de prover tudo que seu bichinho precisa pra viver, impedir o seu acesso às ruas. Minhas duas gatas não saem do quintal, pois a casa tem muros altos e portões fechados, portanto não correm o risco de serem envenenadas, atropeladas, atacadas (por outros animais ou por humanos inescrupulosos), de se envolverem em brigas ou trazer parasitas e doenças pra casa. Aumente seu muro, feche seu portão, tele suas janelas, identifique seus animais com plaquinhas na coleira, tome todas as medidas que forem necessárias para não expor seu animalzinho ao risco de estar nas ruas deste mundo tão cruel com eles!

Leiam, divulguem, informem-se e informem aos outros também, a informação tem poder de salvar muitas vidinhas de animais, e muita gente ainda pensa em pet shops e feirinhas de animais como sendo locais inocentes, limpinhos, em que os filhotes são todos saudáveis e vêm de criadores que os amam, o que na maioria das vezes é uma grande mentira. Eles são vendidos geralmente muito jovens (criadores sérios não vendem animais com menos de 90 dias), e podem incubar algumas doenças. Quantas pessoas compraram um filhote que depois morreu de cinomose? Eu consultei processos de uns feirantes de animais que fazem feira pelo país, e eles simplesmente nunca reembolsam o valor (que jamais paga a dor de perder um animalzinho em virtude de sofrimento, diga-se).

Então, fica o recado, não podia deixar de participar desta blogagem coletiva, já que é de uma causa que eu amo e defendo!

Por fim, deixo o link da Agência de Notícias dos Animais, que sempre traz informações importantes e notícias interessantes (algumas tristes), é bom que as pessoas se acostumem a acompanhar.

Bring the basic back

Não sei se foi coincidência com a ascensão dos blogs de moda, ou se foi realmente em decorrência deles que a moda, ultimamente, voltou a ser exagerada e espalhafatosa. Muito brilho, muita estampa, muita cor, neon, maxi acessórios, peles, mistura de texturas, de estampas, volumes, sobreposição e, às vezes tudo isso junto. Uma coisa meio bling bling (que, pra quem não sabe, refere-se ao estilo dos rappers americanos, que costumam usar muitas correntes, aneis, relógios, todos aqueles penduricalhos reluzentes, às vezes até na dentadura)

Se, por um lado, essa moda no começo foi até divertida, hoje estou saturada de ver tanta informação pendurada nas pessoas, com saudades do tempo em que elas eram mais basiquinhas e menos coloridas e brilhantes, e os looks menos elaborados e mais espontâneos.

Acredito que uma boa parcela de culpa se deve à tal da Anna Dello Russo, editora de moda da Vogue Japão e queridinha das bloguetes. As pessoas parecem não entender que Anna é e-d-i-t-o-r-a d-e m-o-d-a de uma das maiores revistas de moda do mundo, e que isso faz dela uma personagem do mundo da moda, e que as fotos dela que aparecem por aí são tiradas em eventos de moda. Anna não compra pão, nem vai fazer compras no mercado vestida desse jeito.

Recentemente, ela assinou uma coleção para a H&M, sendo as peças, logicamente, extravagantes. Foi lançado para a campanha um vídeo em que ela dá seus conselhos de moda, em forma de lições. Entre eles, diz que a moda é sempre desconfortável e quem está confortável nunca acertará o look, e que entre estilo e moda, deve-se ficar com a moda. Estranhamente, a primeira lição dela é que “moda é uma declaração de sua própria liberdade”… Qual a liberdade de se estar desconfortável, ou de só seguir as tendências, sem ter estilo?

http://www.youtube.com/watch?v=zXRmWzi2ne4&feature=player_embedded

Ainda, temos os vários blogs de streetstyle, que supostamente fotografam o estilo das ruas, mas, na realidade, em grande parte dos casos, fotografam o “estilo” de pessoas ligadas à moda na porta de eventos de moda, dando a impressão de que as parisienses, nova iorquinas e afins estão sempre bem arrumadas e seguindo as tendências (além de serem todas macérrimas). Tanto é verdade, que muitas das pessoas são fotografadas frequentemente, e costumam ser socialites ou pessoas ligadas ao mundo fashion.

Com relação às blogueiras de moda brasileiras, lembro quando elas, timidamente, postavam fotos de seus looks do dia, com a roupa pra ir ao cinema, à padaria, a um passeio no shopping, e que eles podiam, de certa forma, servir de referência para as leitoras, já que a blogueira sempre tentava acrescentar um pouco da sua informação de moda ao visual, dando um certo charme ao básico.

Entretanto, ultimamente, como passaram a “fazer parte” do mundo da moda, elas passaram a usar roupas que, simplesmente, não cabem no estilo de vida de pessoas normais, que vão a lugares normais, possuem empregos normais, e fazem coisas normais.

Pra ilustrar, selecionei alguns looks, uns mais recentes, outros nem tanto, que lembrei de ter visto por aí e que chamaram minha atenção por algum (mau) motivo. Quem for fã das blogueiras, não se revolte, eu escolhi alguns looks que não gostei, não tenho nada contra quem os usa em si, e acho que elas acertam nas escolhas algumas vezes (quem não for, leia a política de comentários antes de escrever qualquer ofensa pessoal, não vou aceitar comentários contra as moças). Os dois primeiros são da blogueira Lalá Noleto. O primeiro, um conjuntinho YSL vintage – que me lembra aquelas toalhas de mesa de plástico-, em um comprimento ingrato, fez a blogueira envelhecer uns 20 anos. O segundo, um look com clutch e salto usado durante o dia, assim, na rua, com uma renda cor de marca-texto, naquele comprimento estranho a que chamam de mullet. No terceiro, a blogueira Mariah Bernardes usou uma calça larga rosa choque, com a barra arrastando no chão (a barra desta calça ficou imunda após ela andar por Londres em um dia de chuva, isso aparece em outras fotos), com um tricô, também largo, ainda por cima de mangas morcego, laranja. Esse tricô já é um erro sozinho… Pra arrematar, um cachecol que não tem nada a ver com o resto da roupa. Quanto ao último look, da Helô Gomes, não funciona nem na Barbie, quanto mais em seres humanos. Muito rosa, muito choque.

Da segunda leva, temos a Thássia Naves e a Lalá Rudge aderindo à tendência do conjuntinho combinandinho. A Thássia é uma blogueira que realmente montava looks legais, não por ser do time das blogueiras ricas que têm um closet recheado de grifes, mas realmente conseguia fazer produções diferentes e usáveis. Agora, na minha opinião, ela está “vítima da moda” como a maioria, tem apostado muito no conceitual, parece que sem perceber que lugar de alguns conceitos é na passarela. Nesse look da foto, realmente parece estar de pijama: estampa de pijama, tecido de pijama, cor de pijama, e ainda conjuntinho! Como bem mencionaram por aí, lembra os Bananas de Pijama. A Lalá Rudge, que é uma mulher linda e jovem, já costuma se vestir de forma senhoril pra idade dela, aí escolhe um conjuntinho de tecido de sofá da casa da bisa… A Nati Vozza, dentre as blogueiras que eu conheço e que dou uma fuçadinha no blog, apesar de escorregar no quesito “vítima da moda”, é uma das que escolhe looks menos exagerados. Não é um estilo “gente como a gente”, mas ao menos foi difícil encontrar um visual exagerado da moça, que se encaixasse na proposta do post. Eu escolhi este porque mistura muitas modinhas – camisa de seda rosa pink, calça de onça, sapatilha com spikes – e porque esse cinto escrito Moschino é de gosto duvidoso. Particularmente, abomino logomarcas exageradas e monogramas, e acho que eles conseguem ficar ainda piores centralizadas, em forma de cinto. A última não é blogueira, encontrei a foto no Google, e por esse motivo eu não mostrei o rosto. Mais uma calça de capa de sofá, combinando com camisa e casaco no mesmo tom, misturados com 50 pulseiras e aneis dourados e um sapato que não combina com nada. Ela já é uma senhora de mais idade, e, se tem uma coisa que não dá certo pra mulheres com uma certa idade, é querer usar muita moda de mocinha, como a calça estampada e esse tom de laranja mais aceso.

Enfim, o objetivo desse post é tentar resgatar um pouco do básico em nossas vidas. Do jeans e camiseta, da sapatilha, rasteira e tênis, do preto e branco, do chinelo de dedo na hora de ir à padaria, do anel solitário, com brincos pequenos e correntinha, das cores neutras, ou mesmo dos coloridos menos “acesos”. O básico também tem seu charme, não precisamos de tanto exagero!

Selecionei alguns looks básicos, mas com algum charminho, pra ilustrar, de celebridades e de blogueiras. E confesso, foi difícil encontrar dos dois: os de celebridades, porque elas são TÃO básicas pra se vestir pra andar pelas ruas, que fica até difícil escolher alguma imagem que se diferencie, e das blogueiras porque parecem sempre arrumadas demais, ou que tem algo fora do lugar… Não é estranho que as famosas se vistam mais “gente como a gente” que as blogueiras? Bem, às imagens:

Emma Watson usando um combo que eu adoro pro inverno: legging preta, sapatilha e suéter. Pra sair um pouco do básico, ela sobrepôs o blusão à camisa xadrez, e usou bolsa com tachas. Emma Stone (como é linda!) de jeans cinza, sapatilha, jaqueta de couro e blusa listrada. Não tem como errar. Pro verão, Kristin Cavallari usando short jeans rasgado, blusa soltinha e colorida, colar longo com pingente e rasteira com franjas. Gisele Bündchen também usou shortinho rasgado, com rasteira de tiras, blusinha branca básica e casaqueto de oncinha.

Juro que estes foram alguns dos looks de blogueira mais básicos que encontrei! Vicky com um look que gostei bastante, blusa amarela, colar longo, rasteirinha e short estampado. Lu Ferreira usando moletom com decote feminino, um shortinho bem bonito e maxicolar. Eu trocaria o sapato, mas ele também combinou. Thássia Naves usando uma combinação bem bonita pro inverno: calça preta + blusa branca + bota motorcycle (perfeita) + casaqueto colorido. Eu trocaria a bolsa, esse modelo é muito clássico e não combina com o resto. E, por fim, a escolha da Fran Monfrinatti também me agradou. Camiseta listrada com jaqueta de couro colorida fica lindo, e o azul casou com a sapatilha salmão. Só não sei se usaria esse tipo de short, e, particularmente, trocaria o monte de pulseiras por um colar.

E vocês, leitoras? Cansadas também de tanta montação, tanta maquiagem, produção, pose forçada e foto profissional em blog de moda? Cansadas de saírem por aí e encontrarem pessoas usando wet legging dourada em plena luz do dia? De tantos sapatos (altíssimos) cheios de penduricalhos? Vamos, por favor, trazer o básico de volta e guardar um pouquinho os excessos?